Palco MPB – Uma homenagem a Walter Santos e outras pérolas da Bossa Nova


A UNIVASF HOMENAGEOU WALTER SANTOS – A VOZ DE VELUDO

A Universidade Federal do Vale do São Francisco, de maneira profissional e artística, homenageou no dia 19 de fevereiro de 2016 o artista brasileiro, lapidado em Juazeiro, e nascido em Senhor do Bonfim, no norte do estado, Walter Souza Santos projetado com o nome de Walter Santos. Walter veio, aos dezesseis anos morar em Juazeiro, onde lapidou sua veia artística.

Costumo dizer que Walter foi o mais completo artista surgido em Juazeiro-BA, bom violonista, ótimo compositor e excelente cantor. Recebeu o título de A Voz de Veludo, após participar de um evento litero-cultural, promovido pela Diocese de Petrolina-PE, onde cantou várias perolas do universo musical. Entre algumas músicas, cantou o clássico da música francesa, “La Mer”, “Malaguena Salerosa”. Ainda não havia Bossa Nova, inventada pelo juazeirense João Gilberto. Ao ouvir tais músicas o Bispo Diocesano, D. Avelar Brandão Vilela, no fechamento do evento disse o seguinte: “Este rapaz tem a voz de veludo”, D. Avelar se tornaria, então um dos maiores oradores sacro da Igreja Católica brasileira. Walter ostentou por toda a vida o título de A Voz de Veludo.

Walter foi o grande mestre do novíssimo João Gilberto. João, na década de quarenta; não era bom cantor e lutava com a mutação de voz, tão comum nos jovens adolescentes. O cantor da época era o nosso Waltinho. Walter foi o mais completo artista lapidado em Juazeiro. Ele sempre esteve acima do seu próprio tempo. Enquanto que os violonistas tocavam de dedeira, ele já tocava dedilhando seu violão, como fazem os violonistas de hoje.

Walter santos, juntamente com João Gilberto, foi um dos arautos do movimento Bossa Nova. A Bossa Nova, é se duvidar, a maior vertente da MPB. Walter é autor, juntamente com sua esposa, Tereza Souza, de um dos maiores clássicos do movimento. Refiro-me ao samba Amanhã, com mais de trinta versões, inclusive no exterior.

Parafraseando o maior político dos últimos tempos, Lula da Silva, faço minhas suas palavras: “Nunca em tempo algum, a música popular brasileira, foi tão assimilada e gravada pelo mundo civilizado”. Inclusive, muitos clássicos da música popular americana foram regravadas em ritmo de bossa nova, graças à genialidade do juazeirense, João Gilberto, inventor da batida sincopada, que deu origem à Bossa Nova.

Em razão disso, repito: Walter foi um artista que sempre esteve acima do seu próprio tempo. Essa homenagem da UNIVASF, mais do que justa, contou com apoio logístico da Prefeitura Municipal e da Academia Juazeirense de Letras e o Centro de Cultura João Gilberto.

Joselino Oliveira

Juazeiro, dia 24 de fevereiro de 2014

 

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